segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Na dúvida: a indiferença, a imobilidade, a desistência e desvalorização. Basta uma confusão e paramos. Até, enfim, a ausência de decisão tomar por si só um caminho e virar uma certeza.
Naquele momento eu funcionava como uma balança e analisa criteriosamente os dois lados, levando em consideração o peso dos braços: o equilíbrio me incentivava a inatividade. Estava estagnada, largada como um saco de lixo na própria cama.
Naquele momento eu funcionava como uma balança e analisa criteriosamente os dois lados, levando em consideração o peso dos braços: o equilíbrio me incentivava a inatividade. Estava estagnada, largada como um saco de lixo na própria cama.
O sentimento de mágoa começou a se alastrar por todo o meu corpo. Um desânimo me motivava a permanecer deitada, sem fazer nada, olhando para o teto. Contando as falhas que a pintura, agora, manifestava, acompanhava com o olhar os insetos que rodeavam o lustre.
Com as asinhas euforicamente batendo, eles queriam a luz. Buscavam pelo prazer instigante que ela oferece, mas se afastavam com medo das atitudes suicidas que se expunham em qualquer avanço mais ousado. Eles ensaiavam a coreografia do lustre, disputando com suas patinhas cheias de esperança a proximidade àquele brilho.
Queria voar em direção à luz, esfregar as patinhas como um louva-deus, saltar livremente sem rumo, somente buscando a sobrevivência. Carregando só o peso do meu corpo e abandonando os medos em outra encarnação. Talvez eu conseguisse atingir o estado metafísico do nada em um salto de grilo.
De repente, um deles perdeu a asa. Ficou caminhando pelo teto “desalado”. Andava de um lado para outro, não sabia qual rumo tomar, ficou impotente sem a possibilidade de voar. Enfim aterrissou no universo daqueles que não voam e caminhava, novamente, em direção a luz.
Virei o rosto para o travesseiro e apaguei a luz. Era melhor dormir. Amanhã seria outro dia.
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Li na sua iris
Quando eu quis saber o significado deste brilho, busquei nos seus olhos palavras que me faltavam. Encontrei a ausência do discurso, inebriado. Era pura sinestesia admirar aquele castanho modelado. Foi ali que eu entendi. Você não me dizia o que sentir, só emitia o que eu sempre quis ouvir.
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
1 X 0
Embaixo da ponte tem um campinho
dribla sonhos,
pega, dá o toque,chuta...
bola
vibra quando cai no gol
A emoção rola
Olé!
desperta a torcida no menino
Ola de ir embora
dribla sonhos,
pega, dá o toque,chuta...
bola
vibra quando cai no gol
A emoção rola
Olé!
desperta a torcida no menino
Ola de ir embora
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
O pronome da amizade
O filme havia acabado. As garotas ficaram na penumbra dos créditos finais, deixando o letreiro passar em silêncio até assimilarem o que haviam visto. Uma delas puxou o cobertor mais pra cima, a do lado se ajeitou melhor no travesseiro, outra tentou se posicionar melhor na cama de casal e a ultima suspirou.
Formavam um daqueles grupinhos de amigas que estavam juntas fazia anos. Quanto mais próximas, mais passavam por momentos parecidos. Uma começava a namorar e em pouco tempo lá iniciavam as outras também. Uma terminava e, não tinha outra, se o relacionamento estivesse mal das pernas, tudo parava de andar. Até mesmo menstruavam na mesma época, mas isto não era porque os laços eram muito fortes e ultrapassavam até as barreiras biologias na fusão, era, somente, pela convivência mesmo. O corpo feminino compreende algumas coisas que não é possível explicar cientificamente e estes vínculos invisíveis nem elas entendiam como haviam sido atados.
Foram os nós dos anos que teceram os fios deste sentimento. As quatro conjugavam cada vez mais aquela ligação, estreitando vidas com as emoções e aprofundando no conhecimento de si mesmas e de ser humana.
Era encantador observar como se entendiam tão bem e seguiam por caminhos opostos. Quando mais jovens, tinham o universo cheio de portas abertas, mas conforme decidiam os passos, caminhavam por estradas diferentes e os problemas curriculares saiam da pauta dos encontros. Nenhuma falava a mesma língua na faculdade, mas apresentavam o mesmo sotaque. Aprenderam desde pequenininhas a linguagem carinhosa dos nós. Era um nós nos amamos, nós nos queremos bem, nós nos ajudamos, nós falamos a verdade quando precisa, nós. Ao ligar uma para outra, observava-se como sentiam os nós.
E aquele era um momento delas, quando podiam falar livremente e aproveitar o final de semana para colocar o papo em dia. Quanto mais falavam, mais tinham coisas para falar. Contaram dos amores, das desilusões, dos sonhos e expectativas, mas nunca deixavam de lidar com maturidade com as situações mais complicadas que poderiam, como em um tropeço vocálico, torná-las em somente eu.
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