Já faziam horas que ela se encontrava naquela situação, ou seriam dias? Talvez já fizessem meses a fio que não a ajudavam a progredir. Caminhar significava tomar uma decisão. Muito mais do que uma simples “direita” ou “esquerda”, este primeiro passo era um “sim” ou um “não”. Decisão difícil, pois determinava fechar ou não uma porta que, por enquanto, estava aberta. Porém, mantê-la intacta também era perigoso e aceitar tudo. Será que era isto mesmo que ela queria?
Indecisa e sempre analisando criteriosamente os dois lados, ela tinha medo de tomar a decisão errada. Diante deste questionamento ela percebia que não existia decisão errada, somente a que ela achou mais apropriada naquele momento dependendo da situação em que vivia. Com medo, também, do que seria melhor para o seu futuro ela ainda continuava sem se locomover.
Dar o primeiro passo e aceitar tudo aquilo significava perigo! Uma jornada que não teria volta, cheia de caminhos sinuosos e muito apertados. Era tudo muito tenso, olhar para baixo e ver aquele abismo. Admirar a loucura do salto e lembrar de como é prazeroso se jogar e flutuar. Sentir o seu corpo leve, a respiração solta e cheia de suspiros. Somente deixar o seu corpo ser tomado por esta brisa leve que te guia a lugares encantadores e cheio de romance. O paraíso das sensações no melhor momento de todos: agora.
Ela não tinha mais certeza de nada. Será que era isto mesmo que ela queria? Valia a pena se arriscar, mesmo sabendo que no meio de caminho poderia não existir uma mão que a agarrasse e a segurasse em uma pedra qualquer, antes que caísse no chão. Poderia acontecer novamente aquilo que ela menos queria, sentir-se cortada em pedaços, ter cada parte do seu corpo bruscamente rompida com o passo em falso que ela deu diante do precipício.
Era o risco, o medo, a indecisão e a impossibilidade de ver o outro lado que a deixavam paralisada. Ela só queria a certeza de que no meio do salto ela ia sentir uma mão puxando por ela para uma parte bem gostosa cheia de carinho e afeto, que demonstrariam que a decisão valeu a pena. Ela não se importava com o fato de que aquela mesma mão poderia segurá-la um dia, poderia soltá-la, e assim, ela se espatifaria no chão em pedacinhos muito menores ao ponto de não saber mais como se juntam as peças do quebra-cabeças que formava o seu corpo dolorido.
Depois de juntar todas as partes ela se sentiria renovada, olharia para cada cicatriz com orgulho. Cada pedacinho do seu ser representaria um aprendizado, uma lição, que por mais dolorida que tenha sido, marcou o seu ser por inteiro para formar a pessoa dela. Ela não carregaria mais a dor, pois esta, o tempo ajuda a curar com as mudanças que a gente sofre. Quando menos imaginamos, a dor não é mais sentida, o lamento não tem mais motivo, só existe a lembrança de uma época que fez parte do que você é hoje.
Por isto, ela gostava de se jogar, por isto, ela não tinha do que se arrepender. E sempre que se via olhando lá para baixo do precipício era porque ela já tinha se atirado.
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Acordo Silencioso.
Elas sabiam tudo uma da outra, cada uma tinha a sua opinião a respeito de cada atitude das outras. Ali, a privacidade estava nas idéias, a liberdade de se expressar era reprimida pelo sentimento de medo. Todas se entendiam, se respeitavam e se aceitavam. A tolerância era a base da paz na convivência, porque elas precisavam guardar detalhes que, se revelados, machucariam todas.
A necessidade de manifestação não existia mais, era só abaixar os olhos enquanto a outra contava o que havia acontecido que elas sabiam que existia algo naquele olhar baixo que as afastava e que talvez nunca fosse revelado. Segredos que jamais seriam expostos tão levianamente. Opiniões tão bem formuladas e presente na raiz da relação que, uma vez exibidas, ativariam o vulcão adormecido.
Era um acordo silencioso. Cada uma em seu canto, ciente da outra e com sua próprias análises baseada em uma mesma realidade. O filtro existente no interior de cada uma delas era completamente diferente do da outra, o que tornava um mesmo momento com diversos caminhos a se analisar e, assim, impossível de encontrar uma verdade absoluta.
Era esta verdade absoluta que elas colocam como desculpa para a repressão do que as afastava. Sabia-se que se elas ficassem nuas, nunca mais se veriam vestidas entre elas. Mais do que sem roupas elas sentiriam na pele cada arranhão que ecoaria das palavras com o veneno da opinião.
Por isto, era melhor manter-se o silêncio. Tudo continuava bem. O amor é tão grandioso que nos fazia aceitar cada absurdo! E era assim que sempre continuaria, aceitando cada traço de humanidade presente em toda situação que a outra descrevia. Este sacrifício era a maior prova de carinho que elas podiam demonstrar por sentirem medo.
A necessidade de manifestação não existia mais, era só abaixar os olhos enquanto a outra contava o que havia acontecido que elas sabiam que existia algo naquele olhar baixo que as afastava e que talvez nunca fosse revelado. Segredos que jamais seriam expostos tão levianamente. Opiniões tão bem formuladas e presente na raiz da relação que, uma vez exibidas, ativariam o vulcão adormecido.
Era um acordo silencioso. Cada uma em seu canto, ciente da outra e com sua próprias análises baseada em uma mesma realidade. O filtro existente no interior de cada uma delas era completamente diferente do da outra, o que tornava um mesmo momento com diversos caminhos a se analisar e, assim, impossível de encontrar uma verdade absoluta.
Era esta verdade absoluta que elas colocam como desculpa para a repressão do que as afastava. Sabia-se que se elas ficassem nuas, nunca mais se veriam vestidas entre elas. Mais do que sem roupas elas sentiriam na pele cada arranhão que ecoaria das palavras com o veneno da opinião.
Por isto, era melhor manter-se o silêncio. Tudo continuava bem. O amor é tão grandioso que nos fazia aceitar cada absurdo! E era assim que sempre continuaria, aceitando cada traço de humanidade presente em toda situação que a outra descrevia. Este sacrifício era a maior prova de carinho que elas podiam demonstrar por sentirem medo.
terça-feira, 14 de outubro de 2008
Reencontros e Reviravoltas.
A cozinha estava lotada e no ar sentíamos o impacto da ousadia dos jovens que, descontrolados, buscavam diversão. Não parava nunca de chegar gente trazendo sempre mais combustível da alegria. Era o momento de extrapolar para rir da cara dos amigos e com eles. Abraçar quem a gente ama e sentia muita falta, brincar de siga o mestre com a musica controlando cada passo de insanidade.
Ouvir metal no piano de madrugada, deixar-se enervar por acreditarem que a paixão está acima da ética, descontar em quem não deve e receber chocolate na boca na hora do parabéns. Milhares de sensações ao mesmo tempo em uma mesma noite.
Chorar diante do amor e união, odiar a susceptibilidade da paixão e mesmo assim sair correndo para abraçar e dizer o quanto você ama. Demonstrar também que já amou de forma ardente e hoje ama de forma pura. Tudo isto diante da mais instável realidade.
Conflitos de mundos, pessoas que nunca se viram se encontram. São tantos absurdos que o real torna-se fantasia e a imaginação não se preocupa mais em ser intangível. Diante do desconhecido o homem perde a noção e faz o que ninguém espera.
É o encontro da ansiedade com a felicidade que vai e vem por momentos prolongados durante uma noite e uma manhã em que todos diante da loucura demonstraram a maior cumplicidade e fraternidade pelo outro.
Ouvir metal no piano de madrugada, deixar-se enervar por acreditarem que a paixão está acima da ética, descontar em quem não deve e receber chocolate na boca na hora do parabéns. Milhares de sensações ao mesmo tempo em uma mesma noite.
Chorar diante do amor e união, odiar a susceptibilidade da paixão e mesmo assim sair correndo para abraçar e dizer o quanto você ama. Demonstrar também que já amou de forma ardente e hoje ama de forma pura. Tudo isto diante da mais instável realidade.
Conflitos de mundos, pessoas que nunca se viram se encontram. São tantos absurdos que o real torna-se fantasia e a imaginação não se preocupa mais em ser intangível. Diante do desconhecido o homem perde a noção e faz o que ninguém espera.
É o encontro da ansiedade com a felicidade que vai e vem por momentos prolongados durante uma noite e uma manhã em que todos diante da loucura demonstraram a maior cumplicidade e fraternidade pelo outro.
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
Estado de Consciência imediata.
Enquanto ela assistia TV na sala ela podia ouvir também o barulho da chuva lá fora, a mãe na cozinha mexendo nos talheres, a maciez da almofada que ela estava agarrada e o chocolate que ela mal sentia o sabor. Tudo naquele exato momento a tornava inconsciente da realidade. Ela não tinha percebido que estava há meia hora acariciando o veludo da almofada, nem que a mãe estava fazendo a janta cuidadosamente para toda a família e a chuva só era notada quando um trovão a assustava.
Neste estado de embriagues do presente, ela percebia que estava inconscientemente alerta e assimilando sutilmente as peculiaridades do momento. Não havia análise, era tudo incrivelmente sensorial e sem necessidade de associação para compreensão da situação. Ouvir o barulho delicado dos pingos ansiosos para cair no chão era uma percepção inconsciente da parte de um todo que ela fazia questão de somente admirar.
Para ela não havia a necessidade de estragar a imediaticidade da percepção do presente e inserir signos do repertório construído por ela. Era maravilhoso aproveitar sem entender, sentir sem saber porque, amar e não saber explicar.
Uma inconstância que sempre ressurgia quando as palavras delas não sabiam explicar os sentidos, e as vezes eles não tinham explicação. É parte do universo da ignorância , da preguiça de associar com outros mundos, mas também era parte da mais pura percepção de primeiros impactos e admiração das surpresas.
Mais um trovão a despertou dos devaneios. Será que era ela que ao racionalizar a percepção a compreendia de maneira individual e conseguia somente uma interpretação de milhares ou então a sensação era tão irracional que jamais teria razão?
Ela se jogou no sofá abriu um sorriso, fechou os olhos e percebeu que ela preferia não responder.
Neste estado de embriagues do presente, ela percebia que estava inconscientemente alerta e assimilando sutilmente as peculiaridades do momento. Não havia análise, era tudo incrivelmente sensorial e sem necessidade de associação para compreensão da situação. Ouvir o barulho delicado dos pingos ansiosos para cair no chão era uma percepção inconsciente da parte de um todo que ela fazia questão de somente admirar.
Para ela não havia a necessidade de estragar a imediaticidade da percepção do presente e inserir signos do repertório construído por ela. Era maravilhoso aproveitar sem entender, sentir sem saber porque, amar e não saber explicar.
Uma inconstância que sempre ressurgia quando as palavras delas não sabiam explicar os sentidos, e as vezes eles não tinham explicação. É parte do universo da ignorância , da preguiça de associar com outros mundos, mas também era parte da mais pura percepção de primeiros impactos e admiração das surpresas.
Mais um trovão a despertou dos devaneios. Será que era ela que ao racionalizar a percepção a compreendia de maneira individual e conseguia somente uma interpretação de milhares ou então a sensação era tão irracional que jamais teria razão?
Ela se jogou no sofá abriu um sorriso, fechou os olhos e percebeu que ela preferia não responder.
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Cutucada por agulhas invisíveis.
Sai de perto. Me abraça. Me toca. Porque você quer me empurrar do sofá? Larga mão de ser ridículo! Ah, agora você vai ver. Se fodeu. Toma esta e esta e mais esta, satisfeito? Mas que moleque insaciável, mesmo todo arranhado ainda insiste. Qual é a tua meu? Pronto. Agora você vai ficar ai. Quietinho sem poder se mexer e nem ousar me empurrar do sofá. Feliz?
Ai que frio. Me abraça. No que você acredita? Você está tão quente, como consegue? Eu to tremendo de frio. Deixa eu me ajeitar melhor. Isto, assim está bem melhor. Ah é tão bom ficar assim. Eu também sinto isto, sabia? O que dói em você, dói em mim também. A gente está tão perto. “Sinto vontade de chorar, mas não vou”. Suspiros. Só quero ficar aqui do seu lado quietinha.
Em São Paulo eu não vejo as estrelas. O seu lamento é do coração. Você deixa a dor guiar suas canções. A turbulência que me assusta, me fascinou. Foi esta instabilidade que me fez querer te agarrar. Deixa eu te bater? Porque me sinto completamente sem armas ao seu lado? Seu filho da puta, porque fez isto comigo?
Adeus. Acho que a gente não vai mais se ver. Até uma próxima vez, quem sabe. Ninguém sabe o que nos aguarda. O que ficou foram as marcas nos braços e nas costas, a barriga beijada, o pescoço seduzido pela língua e o lamento dolorido na alma.
Ai que frio. Me abraça. No que você acredita? Você está tão quente, como consegue? Eu to tremendo de frio. Deixa eu me ajeitar melhor. Isto, assim está bem melhor. Ah é tão bom ficar assim. Eu também sinto isto, sabia? O que dói em você, dói em mim também. A gente está tão perto. “Sinto vontade de chorar, mas não vou”. Suspiros. Só quero ficar aqui do seu lado quietinha.
Em São Paulo eu não vejo as estrelas. O seu lamento é do coração. Você deixa a dor guiar suas canções. A turbulência que me assusta, me fascinou. Foi esta instabilidade que me fez querer te agarrar. Deixa eu te bater? Porque me sinto completamente sem armas ao seu lado? Seu filho da puta, porque fez isto comigo?
Adeus. Acho que a gente não vai mais se ver. Até uma próxima vez, quem sabe. Ninguém sabe o que nos aguarda. O que ficou foram as marcas nos braços e nas costas, a barriga beijada, o pescoço seduzido pela língua e o lamento dolorido na alma.
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Inebriada com o cheiro de lã.
Aquele universo infantil nunca havia a abandonado. Ela sempre se lembraria de como era acordar para continuar na cama pensando e olhando os fios quase que invisíveis no ar. Observar, com o prazer de quem tem o tempo livre como vida, e sentir a eternidade de cada segundo nos pontinhos brancos que a luz fazia aparecer a sua volta. Era este o encanto que a fazia lembrar do mundo gigante que ela temia e aguardava ansiosamente para entender.
O cheiro da roupa de lã que a mãe colocava fazia parte da despreocupação que ela sentia no presente e medo que ela sentia do futuro. A garotinha se via pequenininha diante do conhecimento do mundo, acreditando, ingenuamente, que eles sabiam o que faziam com tudo o que se transformava diante dos olhinhos assustados dela. Mais crescida, ela descobriu que todos eram ingênuos como ela e que, também, acreditavam em “alguém” que sabia o que fazia.
Desorientada, ela sentiu o pavor diante desta loucura. Se a ignorância é fundamental seria melhor que ela fechasse os olhos e fingisse que não havia nada, afinal, o pior cego é aquele que não quer ver. E parte destes cegos ela não fazia.
Mas e o berro engolido, as lágrimas que não desceram e o aperto eternamente ignorado no peito? Era facilmente justificado pela frase que cresceu ouvindo na voz de sua mãe: “tudo tem seu tempo certo”. Não adiantava nada participar da loucura que ela prezava contra tudo, nem da desordem que acabaria com a ordem estabelecida, a falta de organização devia ser externa, não podia contagiar. Uma muralha era erguida como uma faca afiada, apunhalada por mãos bem treinadas em cegar a verdade que não podia mais existir dentro dela. Um dia os berros de quem não fingia seriam ouvidos, enquanto isto, ela aguardava a oportunidade.
A falsa ordem interna só acalmava a mente, os sentimentos ainda queriam desabar. E a alma ansiava, sem nem imaginar, pelo encontro errante com algum outro visionário. Esta ansiedade foi acalmada, o sentimento desenterrado e a criança só queria colo de tanta dor que a invadiu. Doía, ouvir as mais tristes verdades de maneira tão simples e pura.
Eram dois lados de uma mesma moeda. Os dois enxergavam o mesmo problema e a solução de cada um ia por caminhos opostos. Só alguém tão absurdamente diferente a faria perder o chão e sentir o seu apoio sumir sem rumo nenhum diante da emoção. Eram dois caminhos para um mesmo sentimento.
O cheiro da roupa de lã que a mãe colocava fazia parte da despreocupação que ela sentia no presente e medo que ela sentia do futuro. A garotinha se via pequenininha diante do conhecimento do mundo, acreditando, ingenuamente, que eles sabiam o que faziam com tudo o que se transformava diante dos olhinhos assustados dela. Mais crescida, ela descobriu que todos eram ingênuos como ela e que, também, acreditavam em “alguém” que sabia o que fazia.
Desorientada, ela sentiu o pavor diante desta loucura. Se a ignorância é fundamental seria melhor que ela fechasse os olhos e fingisse que não havia nada, afinal, o pior cego é aquele que não quer ver. E parte destes cegos ela não fazia.
Mas e o berro engolido, as lágrimas que não desceram e o aperto eternamente ignorado no peito? Era facilmente justificado pela frase que cresceu ouvindo na voz de sua mãe: “tudo tem seu tempo certo”. Não adiantava nada participar da loucura que ela prezava contra tudo, nem da desordem que acabaria com a ordem estabelecida, a falta de organização devia ser externa, não podia contagiar. Uma muralha era erguida como uma faca afiada, apunhalada por mãos bem treinadas em cegar a verdade que não podia mais existir dentro dela. Um dia os berros de quem não fingia seriam ouvidos, enquanto isto, ela aguardava a oportunidade.
A falsa ordem interna só acalmava a mente, os sentimentos ainda queriam desabar. E a alma ansiava, sem nem imaginar, pelo encontro errante com algum outro visionário. Esta ansiedade foi acalmada, o sentimento desenterrado e a criança só queria colo de tanta dor que a invadiu. Doía, ouvir as mais tristes verdades de maneira tão simples e pura.
Eram dois lados de uma mesma moeda. Os dois enxergavam o mesmo problema e a solução de cada um ia por caminhos opostos. Só alguém tão absurdamente diferente a faria perder o chão e sentir o seu apoio sumir sem rumo nenhum diante da emoção. Eram dois caminhos para um mesmo sentimento.
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
A dor do vazio.
Como se tivesse todo o tempo do mundo, ela se aproximou e vagarosamente depositou o seu corpo sobre o acolchoado da cadeira. Não estava leve como antes, sentia que tinha adquirido o dobro do peso após ouvir uma palavra. Olhou para baixo e começou a admirar o vazio que criava diante dos olhos, o invisível mundo que ela reproduzia na estampa do carpete avermelhado.
Cheio de instantes que marcaram suas sensações, os seus devaneios a perturbavam constantemente. Ficar acordada era reviver as dores que não iam embora e estavam nas memórias que ela sempre quis esquecer, mas nunca conseguiu. Admirar os pêlos e a sujeira do tapete no chão tinha virado rotina em sua vida mansa e monótona, assim como um sorriso sem emoção, agora, era parte do processo imediato de cumprimentar uma pessoa.
Haviam duas formiguinhas levando um pedacinho de pão entre os pêlos do carpete, e atravessaram despercebido pela garota da cadeira que sempre analisou tudo nos mínimos detalhes. Não havia mais motivos para admirar a sua volta, tudo estava confuso e nada esclarecia o que ela sentia. Aquela agonia não a abandonava e todos os passos pareciam ser falsos em direção ao futuro que se tornava cada vez mais embaçado.
Era igual a um banheiro que depois de uma ducha quente fica com o vidro todo embaçado e coloca a nossa disposição um quadro em branco para grafar o que quisermos, porém, no caso da solitária garota da cadeira, não havia a possibilidade de escrever o que quisesse, este encanto com a liberdade de escolha para desenhar o seu próprio caminho era parte das memórias que traziam sofrimento.
Não havia mais graça no presente, do passado vinham lembranças sentimentais intensas que a nocauteavam à solidão extrema, mas o que mais doía era a apatia constante em que vivia sem conseguir enxergar o que viria depois. Se é que existia depois...
Ela ajeitou-se melhor na cadeira de madeira, olhou para o teto e estava tudo branco, de rente. Não tinha nada ali que lhe dissesse alguma coisa, tudo sem nada , vazio, sem objetivo. O monocromático a invadira e a dominava por inteiro sem a deixar respirar, como a língua venenosa de uma serpente capaz de selar seus lábios subitamente para o amanhã.
Olhou para os lados e notou que não havia ninguém. Sozinha ela passou por tudo que viveu e passaria tudo o que viria da mesma maneira, sendo incompreendida e na agonia. As bochechas ficaram molhadas, ela nem tinha percebido que lágrimas haviam escorrido, tentando em vão limpar a angústia do seu ser.
Cheio de instantes que marcaram suas sensações, os seus devaneios a perturbavam constantemente. Ficar acordada era reviver as dores que não iam embora e estavam nas memórias que ela sempre quis esquecer, mas nunca conseguiu. Admirar os pêlos e a sujeira do tapete no chão tinha virado rotina em sua vida mansa e monótona, assim como um sorriso sem emoção, agora, era parte do processo imediato de cumprimentar uma pessoa.
Haviam duas formiguinhas levando um pedacinho de pão entre os pêlos do carpete, e atravessaram despercebido pela garota da cadeira que sempre analisou tudo nos mínimos detalhes. Não havia mais motivos para admirar a sua volta, tudo estava confuso e nada esclarecia o que ela sentia. Aquela agonia não a abandonava e todos os passos pareciam ser falsos em direção ao futuro que se tornava cada vez mais embaçado.
Era igual a um banheiro que depois de uma ducha quente fica com o vidro todo embaçado e coloca a nossa disposição um quadro em branco para grafar o que quisermos, porém, no caso da solitária garota da cadeira, não havia a possibilidade de escrever o que quisesse, este encanto com a liberdade de escolha para desenhar o seu próprio caminho era parte das memórias que traziam sofrimento.
Não havia mais graça no presente, do passado vinham lembranças sentimentais intensas que a nocauteavam à solidão extrema, mas o que mais doía era a apatia constante em que vivia sem conseguir enxergar o que viria depois. Se é que existia depois...
Ela ajeitou-se melhor na cadeira de madeira, olhou para o teto e estava tudo branco, de rente. Não tinha nada ali que lhe dissesse alguma coisa, tudo sem nada , vazio, sem objetivo. O monocromático a invadira e a dominava por inteiro sem a deixar respirar, como a língua venenosa de uma serpente capaz de selar seus lábios subitamente para o amanhã.
Olhou para os lados e notou que não havia ninguém. Sozinha ela passou por tudo que viveu e passaria tudo o que viria da mesma maneira, sendo incompreendida e na agonia. As bochechas ficaram molhadas, ela nem tinha percebido que lágrimas haviam escorrido, tentando em vão limpar a angústia do seu ser.
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