segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Que manifeste o Podre!

Buscando captar o lado mais obscuro do ser humano, me deparei com o que todos tentam esconder a sete chaves como se fosse a maior vergonha do mundo. Tudo aquilo que ao ser mencionado faz uma onda de vermelhidão tomar conta do seu rosto e te inibe de qualquer atitude normal evidenciando que ali, realmente, tem coisa.

Era só perceber que, quando um assunto era sutilmente mudado, havia alguém tentando esconder os traumas que ainda não tinham sido superados. Todos passam por situações delicadas como esta e evitam lembrar que existem excentricidades no bicho que o homem representa.Mas ninguém se lembra que isto é normal, não há nada mais humano do que ser todo torto e grotesco. Expor o seu lado mais podre diante do mundo pode ser um escândalo que todos comentarão, mas quando estiverem sozinhos vão se remoer por se sentirem sujos também.

Entre segredos e absurdos o bizarro acompanha a vida de quem tem intimidade e, as vezes, coloca a cara para bater. Em uma conversa que era rotina, subitamente, aparece o que ninguém esperava deixando a platéia com os olhos arregalados e na expectativa para saber mais e mais. Tudo aquilo que estava guardado dentro da gaveta aparece e vira palco, muitas vezes, de um épico.

O melhor disto tudo é quando existe aquela cumplicidade em esconder algo mutuamente assustador. Laços que são estreitados a cada descoberta, como os que eu tenho o prazer de viver em uma certa república que me faz afirmar com toda a certeza que tabus são feitos para sumirem do mapa depois que uma boa dose de verdade os faz evaporar.

Abaixo a ridícula moralidade da vergonha! Gritarão multidões em um futuro utópico. Todos unidos com o desejo de deixar de ser politicamente correto e demonstrar que esconder o nojento não te faz melhor do que ninguém. Não adianta fazer os outros acreditarem que você é aquilo que demonstra ser. Não, não no fundo todos somos cheio de raiva misturada com maçãs podres, um desejo intenso de vingança e ver o outro sofrer na sua mão. Só não mostramos porque domesticamos os nossos corpos com essa moralidade falsa que torna todos puros.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

20 litros em quatro braços.

Tem coisas simples na vida que a gente nem valoriza na nossa rotina, porque é algo tão ordinário e desnecessário para ficar montando estratégias de ações que até ignoramos. O único porém surge quando isso, que seria comum deixar de lado, deve ser analisado.

Foi em diversas situações como esta que eu me encontrei ao conhecer e cuidar do meu novo lar. A toalha não ficava limpa sozinha, o papel higiênico que mais parecia um rolo interminável, de repente, tinha fim; até a comida em cima da mesa ficou pelo menos meia hora no fogão para poder surgir. E quando a água terminava? Ah, aí o negócio não tinha jeito, precisávamos pedir e o moço lindamente a depositava no local que ela deveria ficar. Tudo pronto, tudo perfeito e a casa podia novamente ir ao bebedouro e aproveitar o líquido inodoro.

As coisas mudaram quando as três moradoras do apê sentiram a pressão que todos sentem na vida e começaram a trabalhar. A partir dai a vida não tinha mais jeito, era uma correria só, o tempinho que restava para contar as novidades era apertado e todas iam dormir tarde por causa disto. Quer coisa mais gostosa do que ficar rindo de madrugada até sua barriga doer mesmo sabendo que no dia seguinte você vai estar quase caindo de sono?

Porém havia um momento em especial que reunia as integrantes da república para quase um evento: a inserção de 20 litros de água em seu devido lugar. Com a vida agitada era impossível estar presente na hora que o galão chegava na casa das garotas do interior, então o coitado ficava lá fora de castigo esperando a chegada de uma pessoa caridosa que o colocasse no lugar certo.

Para arrastá-lo para dentro de casa não havia problemas, era só vir puxando e empurrando até a cozinha e dar um berro: “Ae galera é hora de colocar a água no lugar!”. E subitamente apareciam mais duas jovens devidamente vestidas com seus trajes noturnos preparadas para fazer a boa ação do dia. Quatro mãos pegavam no galão e a outra que sobrava ficava na torcida “Go go go”. A força que devia ser feita era enorme para os bracinhos frágeis das donzelas indefesas, se existisse uma competição nas olimpíadas de quem mais coloca o galão de água no lugar, com certeza, perderíamos. Mas em questão de espírito de equipe venceríamos disparado.Quando finalmente obtivemos sucesso em nossa missão a equipe pulou de alegria e gritava em coro “Valeu time!”.

Era sempre assim, uma saga para uma coisa tão comum que ninguém normalmente daria importância, mas a gente dava e se divertia enquanto durasse tudo, porque a gente sabia que aquela coisinha tão boba podia nos fazer ter os melhores momentos e sair saltitantes e serelepes pela casa tentando a todo custo agir como gente grande que não queria crescer.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Aquilo que mais importa.

E foi assim que as coisas começaram a funcionar: cada uma ia para um lado, mas iam todas juntas seguindo a sintonia do que as unia. Tinha os dois extremos e aquela que estava sempre no meio, fato que ganhou grande significância independe da situação, pois esta era a maneira em que todos podiam ver que elas se completavam de uma maneira estranhamente animadora.

Bastava combinarem que queriam se divertir e o momento estava feito. Produzir sensações inesquecíveis era a maior habilidade daquela união que, com um simples toque, deixava todos sem entender a língua que elas falavam quando cruzavam os olhares e abriam aquele sorrisinho de canto de boca que diz: também adoro tudo o que nos torna únicas.

Uma balada sem graça, de repente, tornava-se a melhor de todos os tempos, porque elas sabem como se divertir sem precisar de nada, talvez um copinho com um liquido que deixa alegre ou uma banda de rock n’ roll que fazia as três balançarem a cabeça e repetirem insistentemente: “esse som é muito bom”. Mas na verdade nada era necessário, as risadas eram um presente divino que fazia questão de visitar a rotina delas e entretê-las com qualquer comentário suficientemente ridículo.

A saudades se apossou dos coraçõezinhos desta jovens mulheres quando sentiram-se desunidas. Não havia nada mais gostoso do que combinar de se divertirem juntas e quando iam duas tornava-se obrigação da terceira acompanhar, porque afinal o maldito tripé só estava completo quando não faltava ninguém. Nenhuma emoção era perfeita quando sentíamos aquele vazio, o melhor era sentir que você amava aquilo mais que tudo.

Sem precisar de justificativas, as atitudes tinham a liberdade que sempre precisaram para se expressar integralmente. Era sempre assim, por isto, aquilo tudo era viciante e deixava todos embriagados com tamanha sinceridade e carinho em qualquer atitude. Como os três mosqueteiros, um por todos e todos por um, lutamos contra um universo que apavora qualquer jovem que quer entrar no mercado de trabalho. Cada uma para uma direção, mas sempre se apoiando naquele momento que mais precisa criou-se uma espécie de casa, com nome e apelidos que simbolizam tudo aquilo que nos faz sentir as mais encantadoras emoções quando, em um abraço triplo, percebemos o quanto isto é importante para nós.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Vermelha de Vergonha.

Há dias em que ser um ator é a pior parte do negócio. Seria mais fácil se eu simplesmente observasse e admirasse tudo por fora, encarando todos, profundamente, para descobrir o que tanto escondem atrás das impressões que deixam. Participar é comprometedor, você é parte das acusações e das culpas que te incluem no relacionamento.

Ser espectador é como estar em frente a televisão e presenciar essa loucura toda sem a necessidade de se comprometer e ainda ter a liberdade de ir pegar uma pipoca para assistir de camarote o quebra-pau. Eu nunca participo de nada quando sento no sofá e vejo a telinha, sou somente uma peneira que filtra cada informação com cuidado para interpretar a situação que eu admiro.

Em algumas situações a vontade universal é fingir que você não existe e que nunca fez parte daquilo, é tudo culpa daquela sensação que te deixa com as bochechas intensamente vermelhas quando está todo mundo olhando, ou então quando a única pessoa que deve te ver impecável te flagra no pior momento possível. Seria melhor que eu não tivesse nunca existido e fosse um mero espírito que norteia os vivos tentando, em vão, contracenar em no palco que, para mim, só tem espaço na platéia.

Infelizmente, ou felizmente no mundo real eu tenho espaço reservado no palco do teatro da vida, onde todos fingem que vivem e ninguém entende o que é entrar em cena. Todas as minhas ações devem estar organizadas em uma cadeia para eu garantir que os acontecimentos sejam resultados na minha trama que varia entre o racional e os lamentos da emoção.

Se o ator é aquele que age, então o meu drama é viver. Mesmo insistindo em me tornar platéia, jamais serei; minha sina é presenciar somente minha vida. Vou desejar sempre ser o diretor, sem ter arrependimentos diante de erros e medos, simplesmente ter o olhar crítico e dizer “corta”. Quer coisa melhor do que tomar as decisões, analisar tudo e não sentir a culpa.

Muito mais do que querer fugir, eu quero desencarnar deste compromisso de arrependimentos e desejos que não abandonam nunca os corpos dos vivos. Talvez fosse melhor estar apodrecida no chão de um caixão sendo parte do nada como o vácuo que não sente nada, porque toda a dor é invisível aos olhos dele.

Qual o motivo de sentir, se não existe explicação para nada? Aguardo ansiosamente o dia que eu morrer para ver todas as explicações destas dúvidas intermináveis. Só espero não me desapontar lá do outro lado, mas talvez minha curiosidade insaciada torne-se parte do vazio e, como vício, continuarei sem saber.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Sonhos acordados.

Viajarei para o mundo do imaginário prazer dos acontecimentos que queremos que se tornem reais. Dar um passo ao sobrenatural e inconstante criado por nós, capaz de realizar todos os meus desejos exatamente da maneira que eu quero. Deixar-me-ei conduzir ao flutuante universo do inesgotável acontecimento do gozo do meu entreter. Terminarei com a minha verdade e a transformarei no meu anseio por presenciar os sentidos que podem me invadir por completo, dominarei todas as minhas agonias e distrairei a minha razão que não se cansa de buscar a lógica nas atitudes.

Participarei do profundo mergulho da manifestação do inconsciente em qualquer momento de expressão dos desejos que não se solidarizam com você, pois nunca te abandonam deste eterno querer e sonhar em querer.

Acalmarei qualquer descontrole com uma criação única aprimorada pelos meus instintos e manifestada em qualquer olhar distante que nunca enxerga o que existe diante dos olhos porque sua visão é parte do inalcançável. Aprimorarei todas as minhas percepções do que é externo a mim e considerarei a possibilidade de vivenciar entre o fantasioso e o que todos consideram a realidade. Tal consenso pode distorcer tudo a minha volta, até quando sou eu e até quando é a realidade?

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Amor mais maduro.

São coisas que a vida nos traz sem percebermos. Um dia nos apaixonamos pela idéia de estamos apaixonados e nos relacionando e no outro acordamos que aquilo provavelmente não vai dar certo porque você nem observou anteriormente se a pessoa tinha algo parecido com você.

Num primeiro momento há a atração e a vontade louca de estar junto de alguém que também queria estar se relacionando. A carência é o que mais te impulsiona a dividir a sua vida com alguém. São as mensagens de amor de madrugada, os beijos e abraços, as declarações constantes e a esperança de que tudo vai dar certo entre vocês. Mas o “dar tudo certo” depende de muitas outras coisas alem do sentimento.

O ser humano procura um companheiro para se relacionar. Alguém que seja o parceiro nas horas difíceis e nos momentos de alegria. Uma pessoa que entenda a sua maneira de viver e que queira seguir um caminho parecido com o seu. Mas que acima de tudo seja um amigo, uma pessoa que te faz sentir bem do lado dela. Que te deixa à vontade e que você a deixe a vontade também. Confiança é fundamental, mas quando há esta amizade, um confia no outro.

Aquela obsessão pela pessoa, sendo que você nem a conhece, acaba. Você se apaixona pelo que ela é, não pelo sentimento e relacionamento. Você fica feliz por ter alguém que vai seguir pelos mesmos trilhos que você e que seja um companheiro de verdade, que te respeita e é seu amigo, mas que também existe atração.

É a partir destas considerações que o amor começa a ser mais cauteloso. Você fica mais exigente e sabe melhor o que quer para você. O que você realmente precisa em um parceiro que vai estar ao seu lado vai ser fator impulsionador para escolha. Você olha para trás e observa que a menininha foi embora, o que restou foi uma mulher que através da dor aprendeu que o mais importante é saber o que ela quer para ela.

Um companheiro, um caso, uma ficada ou um amigo. São tantas opções que eles podem virar, para que se apaixonar sem nem saber com quem se esta lidando direito. E não é só questão de vida social e profissional, além dos dois ambicionarem um futuro parecido que os impulsione para um ponto comum, os dois devem se entender como casal, parceiros, amigos e aceitar suas diferenças e saber se essas diferenças podem ser trabalhadas de modo a serem aceitas e superadas ou então se são elas que vão afastar o casal.

São tantos porens que parece que a arte da conquista torna-se chata, complexa e angustiante. No entanto, a arte da conquista é um constante aprendizado para lapidar os seus desejos e as suas buscas. É o encontro com o interior que é exposto ao exterior da maneira mais narcisista possível. Essa constante lapidação é eterna e quanto mais lapidado mais difícil é o encontro narcisico. É em meio a tantas frustrações e desejos que você descobre que amar é buscar alguém que vai se tornar especial para você. Um alguém que vai te ensinar muito e que cada vez mais você vai aceitar ela do jeito que ela é. Sem brigas e grandes questionamentos, amar é aceitar.

domingo, 24 de agosto de 2008

Já passou filha.

Pode ser que você não saiba ainda, mas no fundo você, de alguma forma absurda, se deixou levar. Pode ter sido aquela necessidade intensa de suprir o vazio, um momento de carência ou uma situação perfeita ilusoriamente. Pode ser que você tenha juntado tudo e percebido como é ruim ficar sozinha e se deparou com uma nova pessoa, acompanhada por algo que não te larga custe o que custar, que te faz imaginar como o mundo seria perfeito se o sentimento narcísico fosse realidade.
Infelizmente isso não existe talvez você esteja apaixonada por essa situação e cria um amor perfeito para não aceitar um amor real, com defeitos e humano. E este vício é mais difícil de superar do que um relacionamento que não deu certo.
Mas será que é isso mesmo que eu quero? Somente o que é real... Qual a graça nisto? O que seria do mundo se só vivesse na terceiridade? Seria no mínimo entediante e viraríamos como um bando de robôs fazendo o que é certo e seguindo sempre as regras que nos torna uma sociedade organizada.
Eu preciso de toda essa loucura, essa constante angústia e incertezas que nos deixam surpresos quando nos deparamos com a nossa natureza intensa. São os mais ridículos prazeres que não entendemos que nos trazem os mais nobres sentimentos. Por isto, afirmo com toda a certeza: “Não me mostre o paraíso, que se eu for não vou voltar”. Se for mostrar o que você tem de melhor, tenha a certeza que você tocou uma pessoa e o que ela vê em você é aquilo, somente aquilo que foi perfeito para cair em sentimentos inexplicáveis.
O que não tem explicação sempre te deixa angustiado, você quer saber o porquê e essa busca interminável te faz criar mais questionamentos, intermináveis perguntas que não deixam a nossa mente nunca, até você cair na loucura em um dia sozinha dentro de um ônibus olhando pela janela e ouvindo musica nostalgicamente. A cena é forte o suficiente para te fazer chorar. A primeira reação é segurar, não se pode chorar publicamente, eu sou adulta e tenho que saber me controlar e demonstrar a todos que sou equilibrada. E quem disse que aquilo que grita dentro de mim é equilibrado?
Deixa a garota chorar e lamentar e perceber o quão idiota ela foi, o quão ilusório foi tudo isso... Depois, quando o alivio tomar conta tudo será tão pequeno. É como ouvir a mãe calorosamente falar “Já passou filha”. E vem a certeza que vai ficar tudo bem, porque as ilusões não tem mais significado, ainda estão ali, mas não são fixas mais, agora eu posso soprá-las para fora de mim, basta eu escolher.